Dia Mundial da Voz, celebrado em 16 de abril, desperta para a importância de cuidá-la e preservá-la

Uma das maiores identidades do ser humano é a voz. Ela está presente desde o nascimento e se apresenta de várias formas, por meio do choro, das palavras e até do sorriso. Fundamental para a comunicação, é também por meio dela que somos reconhecidos e expressamos nossas emoções. É tão importante que merece um dia dedicado a ela. O Dia Mundial da Voz, celebrado dia 16 de abril, desperta para a necessidade de cuidarmos desse bem tão precioso. Por ser abundante e natural, muitas vezes não lembramos que precisamos preservá-la com cuidados, como, por exemplo, não gritar ou sussurrar, beber água e descansar com pausas em silêncio. 

A fala é amadurecimento do sistema nervoso, da musculatura vocal. A voz humana é produzida na laringe e possui duas dobras, músculos e mucosas. As pregas vocais servem para produzir a voz, vibrando com a passagem do ar dos pulmões, que é o “combustível” para emitir o som, que é transformado em fala pelos movimentos de diversas estruturas, como língua, boca e lábios. “Nossa voz é única, e pode ser uma característica herdada do ambiente em que vivemos, capaz de nos identificar pela forma que usamos, e varia de acordo com nossas emoções. Ela não é só a emissão das palavras, mas também a mais pura expressão dos nossos sentimentos”, explica a responsável técnica pelo Setor de Fonoaudiologia da Nobre Saúde, dra. Juliana Venites.

A voz pode mudar ao longo da vida, apresentando características diferentes entre a infância, a puberdade, a vida adulta e entre os idosos, podendo mudar na época da menopausa para as mulheres e também para os homens, devido às questões hormonais. A tendência é que a voz se torne mais grave com o passar do tempo. Por isso, é preciso manter hábitos vocais saudáveis, realizar exercícios vocais com regularidade, principalmente para quem é profissional da voz, beber bastante água, ter uma alimentação saudável, não fumar e não gritar. 

Alterações, por mais simples que sejam, na voz podem ser sinal de alerta para a saúde.  Mudanças no timbre vocal, dificuldade de falar, tosse, pigarro ou rouquidão frequentes podem ser indícios de algum problema vocal ou uma doença mais grave, que quando diagnosticada precocemente pode ser tratada facilmente, por isso a importância de cuidar da voz corretamente. 

De acordo com a especialista, é essencial identificar os sinais e procurar um profissional rapidamente. “O Brasil é um país que possui uma grande incidência em câncer de laringe. É importante chamarmos a atenção dos cuidados com a voz, pois, muitas vezes, por não a enxergar, deixamos passar sintomas indicativos de problemas com o nosso corpo”, alerta. 

A voz também é importante para a qualidade de vida dos pacientes em cuidados paliativos e em reabilitação. “Por muitos deles precisarem de traqueostomia (abertura na parede da traqueia com uma cânula para facilitar a entrada de oxigênio quando o ar está obstruído), a dificuldade em falar é muito grande. Quando conseguimos por meio de um dispositivo inserido no tubo da traqueotomia que o paciente possa voltar a falar é uma libertação para quem está acamado”, explica Juliana. 

A filosofia do atendimento de cuidados paliativos tem como foco o alívio do sofrimento físico, psicológico, social e espiritual da pessoa diagnosticada com uma doença grave. Por isso, conseguir que esse paciente possa expressar suas vontades, se comunicar com seus familiares é fundamental para sua qualidade de vida. “No tratamento médico, mesmo no caso dos pacientes que não falam por problemas neurológicos, como em decorrência de um AVC, a comunicação por meio da voz, com modulações, nem que sejam gemidos ou barulhos expressivos, é possível”, comenta a fonoaudióloga. 

Um dado curioso é que muitas pessoas que não falam conseguem cantar, porque as partes do cérebro usadas para essas atividades são diferentes. “Quando o paciente consegue cantar, tem início ali o despertar para a tentativa da fala na terapia fonoaudiológica, algo que vem funcionando muito bem em alguns casos. E essa terapia junto à musicoterapia estimula a articulação das palavras, trabalha a força da voz, a respiração, além dos pacientes adorarem”, afirma Juliana Venites. 

Na Nobre Saúde, o musicoterapeuta Adilson Casimiro realiza o trabalho de comunicação por meio dos sons, da capacidade de falar e de se expressar. “A música tem esse papel agregador e, no processo de tratamento de um paciente com dificuldade de fala ela pode ser fundamental. Trabalhada individualmente ou em grupo, a música pode estimular o paciente a expressar seus sentimentos, aliviar a tensão e ainda colaborar com a coordenação motora e controle da dicção, em alguns casos.”

Dentro desse aspecto, Casimiro ressalta ser muito importante o trabalho realizado pela equipe multidisciplinar. “Com a música, trabalhamos o histórico sonoro que cada paciente possui, estimulando as emoções, levando-o a cantar, a se expressar. Esse trabalho aliado ao que é feito pela profissional de fonoaudiologia auxilia a fala e cumpre o papel que temos nos cuidados paliativos de aliviar o sofrimento e dar qualidade de vida ao paciente”, conclui.

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