As unidades médicas de transição recebem pacientes portadores de doenças crônicas, que necessitam de reabilitação ou de cuidados paliativos, que são encaminhados após alta do hospital geral. Muitos deles chegam diagnosticados com disfagia. Na entrada, a equipe multisetorial promove um plano terapêutico especializado e humanizado para reabilitação em médio ou longo prazo, dependendo de cada caso. Neste programa clínico, é incluso um trabalho específico para tratar a disfagia.  

“Traçamos uma linha de cuidado dentro da fonoaudiologia para evitar a broncoaspiração, para que o alimento não atinja o pulmão, causando pneumonia e até o óbito. Há casos mais graves que a alimentação só pode ser feita por uma sonda nasoenteral ou pelo estômago, a gastrostomia. O acompanhamento contínuo é indispensável para esses pacientes, que podem ter dificuldade para engolir a própria saliva”, informa a fonoaudióloga Juliana Venites, coordenadora do setor de fonoaudiologia Nobre Saúde, primeira e única unidade de transição e cuidados do Grande ABC.

O envelhecimento do mecanismo de deglutição é a principal causa da maioria dos casos de disfagia, principalmente em pacientes com doenças neurológicas, como Mal de Parkinson e Alzheimer. Porém, Juliana explica que crianças com algum tipo de comprometimento neurológico e adultos que passaram por câncer de cabeça e pescoço também podem sofrer de disfagia e necessitar de um tratamento específico.

O tratamento varia de acordo com a intensidade da disfagia. Há pacientes disfágicos que são reabilitados em um prazo de um a três meses de tratamento, já outros necessitam de acompanhamento contínuo para reeducação da deglutição.

“Temos exercícios ativos e passivos, estimulações, massagens, uso de outros artifícios também, como colocação de bandagem, laserterapia e o tratamento com o próprio alimento e sabor. Atualmente, dizemos que aprendemos engolir engolindo, os estudos nos mostram isso”, explica a coordenadora de fonoaudiologia da Nobre Saúde. “Quanto mais cedo o diagnóstico, maior a perspectiva de reabilitação”, conclui.

No dia 20 de março é marcado o Dia Nacional de Atenção à Disfagia, instituído pela Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia em 2010, com objetivo de auxiliar a população a reconhecer os sintomas, divulgar medidas de prevenção e orientar sobre o que fazer diante da suspeita de doença.

 

Leave a reply